O patriarcalismo é uma estrutura de relações sociais e materiais, sistematizada dentro da formação familiar. A família é uma invenção humana, baseada nas necessidades de sobrevivência, forjada através de relações familiares. As diferentes formas de organização familiar foram traçadas através do processo social desenvolvidos historicamente. Segundo Engels, no início da história da humanidade as sociedades eram coletoras, tribais, nômades e matrilineares. Nessas sociedades não eram definidos papéis sociais, tanto quanto, não havia existência da monogamia. Com o advento da sedentarização, o homem começou a ficar responsável pela caça e as mulheres o cultivo. Através do surgimento da sociedade privada ouve a necessidade de se transmitir hereditariamente as posses, assim os relacionamentos passaram a ser predominantemente monogâmicos. Houve então o controle da sexualidade e a divisão dos papéis sociais entre homens e mulheres. Instaura-se assim o patriarcado uma ordem centrada na descendência patrilinear (patriarcalismo), pautado no controle dos homens sobre as mulheres.
Só recentemente a historiografia têm utilizado a mulher como objeto de estudo. Identificado por suas relações com o meio de forma específica, sendo alterada sendo alterada após a exposição da mulher à vida pública. Possibilitado por suas relações materiais e novas relações sociais surgidas, dentro da nova dinâmica do modo de produção capitalista, a mulher ganha poder representação. O meio e função da mulher operária absorvidas pelas fábricas adquirem representatividade no meio através de suas novas relações.
O meio e a função da mulher socialmente é plural, observa-se relações diferentes quanto a mulher no meio social, divergente observando as especificidades no meio rural e no meio urbano. Esses universos diferentes exercem influências distintas sobre os agentes históricos. Observar e entender a mulher imigrante representa a procura e a interpretação da manutenção cultural, tradicional e estruturação familiar e privada em novos meios de relação social e material.
Pode-se usar a ótica do marxista do materialismo histórico para interpretar o movimento migratório e as relações materiais dos gêneros com o meio. Dentro do movimento migratório principalmente o italiano para o Brasil em específico para o estado Espírito Santo. Entender como se processa as novas relações surgidas em um novo meio passa pelos meios de relações materiais que a mulher desempenha dentro do meio. Perry Anderson em a passagem da antiguidade ao feudalismo demonstra como ouve a alteração no meio social quando o modo de produção toma novas vertentes.
Nessa interpretação possibilita entender como a dinâmica capitalista promoveu a realocação da mulher em meio à sociedade, atribuindo novos papéis e relações com o meio material. Dentro do processo migratório para o Brasil a mulher a mulher italiana é tragada pelas necessidades, e pela propaganda do processo migratório. No que toca o processo migratório para o Espírito Santo, o momento de maior volume de entrada dos imigrantes é o que toca o processo da unificação italiana. Na segunda metade do séc.XIX a unificação italiana possibilitou a um mudança de relações com o meio material possibilitado pela entrada em mudança do modo de produção capitalista. Essa mudança de dinâmica alterou o modo de vida de seus habitantes, já que boa parte dela era formada por pequenos produtores rurais. Não havendo mais a possibilidade de subsistência de pequenos proprietários nesse meio. A insustentabilidade promovia com que uma grande massa de desempregados vagasse sem rumo, em busca de alguma forma de sobrevivência. Além das dificuldades também surgidas do meio, as propagandas fantasiosas sobre a América aliciavam uma grande quantidade de imigrantes. Desde o início das grandes navegações, o imaginário europeu sobre a América vagava sobre a idéia de um lugar onde tudo se multiplicava largamente. No fim do séc. XIX esse imaginário surge como a esperança a um contingente italiano que definhava nas dificuldades políticas, econômicas.
“[...] esse mundo imaginário de um Brasil afável, gentil, onde tudo se multiplica à larga, permeou parte do campo europeu no século XIX. Algumas máximas foram nessas canções, como a de uma natureza luxuriante e benfazeja, da qual seria possível extrair alimentos à vontade, a dicotomia entre ricos e pobres e, finalmente, a idéia de que seria fácil enriquecer. É evidente que tais canções não eram nada mais que do modo como viam homens e mulheres que a entoavam. É também claro que durante o período migratório os agenciadores de mão-de-obra promoveram a multiplicação dessas imagens, mas não foram seus criadores. O ideário de abundância dos trópicos introduzidos na Europa pelos numerosos relatos de descobridores e viajantes a partir do século XVI fizera escola.”(ALVIM, Zuleika, 1998,p.219)
Alvim expressa sobre a fantasia que se estruturou através no imaginário europeu, e a multiplicação dessas imagens como forma de aliciar imigrantes às colônias. O processo migratório foi especialmente doloroso quanto às condições em que homens, mulheres e crianças se encontravam. Quanto à mulher o impacto inicial é quanto a falta de privacidade em que se encontravam, no processo de transição da Itália para o Brasil, onde há um choque entre o mundo privado da mulher e as condições do processo migratório.
Amontoados no navio geralmente viajando em família os passageiros imigrantes estavam expostos à falta de privacidades e higiene em uma viagem que durava em torno de um mês. Quanto às famílias que aportaram no estado do Espírito Santo o problema era ainda maior. Nesse período a província não tinha estrutura para receber imigrantes. Ao portar em terras brasileiras segundo Renzzo Grosselli não possuíam local adequado para de estalarem até serem direcionados a colônia. Ficavam em barracões onde amontoadas e sujeitos as epidemias, que em muitas vezes acabava ceifando muitas vidas, mesmo antes desses chegarem às colônias. Especialmente para as mulheres se tornava doloroso o processo esse momento de transição. A quebra de rotina, a nova adaptação ao meio, todos esses fatores pesam para que as mulheres nesses períodos se relacionem e tenham que se adaptar nesse meio, mesmo com a atitude repressiva da condição patriarcal no meio colonial.
tai a referência
ResponderExcluirREFERÊNCIAS
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ALVIM, Zuleika. Maria Forcioni. Emigração, família e luta: os italianos em São Paulo, 1870-1920. São Paulo, 1983.
ANDERSON, Perry – Passagens da Antigüidade ao feudalismo. 3ª edição. São Paulo: Brasiliense. 2000.
D’ALTAVILA, Jayme. A Origem do Direito dos Povos. 7ª Edição. melhoramentos. São Paulo. 1989.
DIAS, Maria Odila Leite da Silva. Quotidiano e poder em São Paulo no séc. XIX. São Paulo: Brasiliense, 1984.
ENGELS, Friedrich. A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado. 13a edição. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil. 1995
GEERTZ, Clifford. A interpretação das Culturas. Zahar. Rio de Janeiro, 1973,
GROSSELLI, Renzo M. Colônias imperiais na terra do café: Camponeses Trentinos Venetos e Lombardos nas florestas brasileiras. 3ª edição. Espírito Santo. 2002.
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SOIHET, Rachel. História das mulheres in. CARDOSO, Ciro Flamarion; VAINFAS, Ronaldo (org.). Domínios da História. Rio de Janeiro. 1ª edição. Campus. 1997.
MINARDI, Ines M. Trajetória de luta: mulheres imigrantes italianas anarquistas. Instituição: Universidade Presbiteriana Mackenzie. 2008.
É muito interessante o tema que voce trata em se artigo um tema pouco estudado.A questão patriacal é muito presente ainda hoje na famílias.Entender como ocorreu esse processo de imigração é compreender a nossa historia.Parabéns
ResponderExcluirEsse tema é bem peculiare nos traze varias indagaçoes sobre a celula pater da sociedade.A ideologia patriacal atingiu toda a hiatoria da humanidaie,hoje esse modelo esta em crise.Gostei muito
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